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RELATO IRONMAN 2012 – por Paulo Domingos

392381_472094002806149_1137382275_nUM SONHO NASCE. UM SONHO VIVE.
UM SONHO NOS LEVA POR ANOS A BUSCAR SEM NEM SABERMOS QUE ESTAMOS BUSCANDO…

Vou contar no mesmo formato que transitou isto em minha mente no dia do encontro com o meu sonho.

Acho que eu estava deitado no chão da sala… isto em 1992. Morava na cidade de Tubarão. Meus pais eram casados, mas viviam brigando com a irmã mais velha (normal)… quando vi na TV alguma coisa que falava do Ironman e fiquei mudo. Olhei e ao mesmo tempo imaginei tudo. Pensei no desafio individual pois sempre fui “meio eu” no esporte. Naquela época eu jogava handebol. Ia pra Seleção Infanto, que depois dos escolares, isto se fez possível. Mas mesmo naquela modalidade, lá ficava eu, correndo a mais nas escadas. Sabia que no coletivo isto não importava muito, mas eu ia correndo para o treino para ajudar. E este tempo se foi. Torci o pé na véspera de ir para a competição rsrsr, irônico jogando basquete.

Minha primeira prova de bike, rsrsr, foi uma BMX aro estrela freio tambor.
Meu adversário era uma Monarqui, que me ganhou. Que vergonha para BMX, rsrsrs. Bom, a corrida era impossível durante muito tempo. Eu tinha bronco pneumonia. Aí subir escadas em dia de vento sul já era a grande prova.
Natação era a terapia recomendada. Então eu caia na água pra me reabilitar. Depois tinha nebulização e visita ao pediatra, Dr Geraldo Altoff, e claro, no final da consulta tinha que ganhar agradinho. Era assim que minha mãe me comprava para ir ao médico e assim foi. Tenho isto, e até hoje nunca deixo alguém ir ao medico sozinho.

Em meio a vontade de correr, eu levantava cedo. Com 14 anos acordava para ir às corridas de rua. Sempre fui muito determinado às coisas que busco. Fui me dedicando o quanto pude e quanto minha vontade permitia e levava.
A música sempre esteve presente em tudo. Uma bela música antes de sair para correr. Deixava o som no timer para desligar só depois que eu estivesse na rua rsrsrs… E assim foi durante muito tempo.

Vieram as Olimpíadas do colégio, e lá fui eu para os 1500m. Pela primeira vez entrei no famoso túnel – aquele que vemos tudo em Sloumoucham e só escutamos nossa respiração. Se ganhei ou não, não importa. Não é isto que quero compartilhar com vocês. Quero dar sentido a algumas coisas que hoje vejo que são escolhidas e falta muito sentido e humildade.

Bom, continuando… eu estava no Segundo ano do Segundo Grau. Ia ter uma corrida na minha escola e eu ia participar. Fui desafiado por um professor corredor – vejam só, era a minha primeira intimada esportiva – no handebol tive muitas mas ai é contato e eu adorava contato no handebol levávamos intimadas direto, física ou de qual forma for.

Só que correr é outro mundo. É estratégia. É minar o adversário pelo silêncio.
É ver o que pode ser feito e acima de tudo treinar. Até que com aquela idade, 17 anos, me peguei treinando e quando tive um pensamento que me fez voltar para dentro e destinar meus treinos para minha melhora, me tornar melhor por mim. “Se no dia o cara não for, o que adianta treinar. Que mérito teria ao ganhar. Que glória seria, ser melhor que o outro se isso não me completaria. Eu queria mais, queria me descobrir…

Bom, chegou o dia da corrida. O colégio inteiro parou para ver a Corrida Rústica, em uma das avenidas da cidade. Meus amigos que estavam sempre comigo, Alemão, Luiz (foto) e Cézar nunca entenderam por que eu gostava disto. E lá fui… PÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ largou.

Doía, estava frio, minha asma… mas não sou de dar desculpa.
E será que conto o fim engraçado?

Não foi a melhor parte ter ganhado. Não sei se vão entender (ele nem chegou). Foi bom ter descoberto o sentido de competir, de se superar. O professor ficou cheio de desculpas, que ele sentiu isto, aquilo, que ele trabalhava e eu só estudava. Eu? Eu o parabenizei e trago ele comigo até hoje. Obrigado professor, que nem era meu professor! Detalhe que era professor de xadrez. Deveria ser um estrategista.

E sabe o que eu lembrava quando eu estava correndo no Iron? Eu fiquei viajando e isto lembro até hoje na hora da corrida. Dos grandes e belos treinos que tive na Praia da Pinheira. Onde descobri algo a mais, uma energia boa correndo. Onde relógio, tempo, não era importante. Era sentir, viver, correr no morro, pular cercas e tudo mais… e como eu estava no “viajando no meio
da corrida” quando vi estava cruzando a linha
de chegada do Iron.

Bom voltando… o episódio do professor passou, e tudo continuou. Veio o vestibular e eu fui fazer Educação Física na UFSC. Mas levei “pau” e meus amigos passaram… rsrsr e eu fiquei!

Fiquei meio ano estudando por conta. Era regime fechado. Saia 1 hora para correr e retornava. Eu era a “empregada de casa”, pra amenizar minha situação, de vergonha por não ter passado. Mas assim levei até que decidi vir para Floripa – terra natal do meu pai. Morei na casa de um tio, de outro, e assim fui “pulando de casa”. Imaginem, passava dois meses e eles falavam “Agora deu”. Mas todo fim de semana estavam na casa de praia. Até que fui morar em uma pensão na Prainha.

E veio o vestibular e nada. Não passei de novo. Como eu estava tentando me bancar e trabalhar para conseguir ficar em Floripa, meu pai que me ajudava com alguma coisa – não tínhamos muito recurso – me falou: “Não posso mais te bancar aqui”. Isso que naquela época eu era inspetor no Energia, e trabalhava em uma loja de roupas femininas – Ciclovia. O Luchi ou a Flora devem lembrar. E foi de lá que um dia eu saí às 22 horas com a pretinha, rsrsrs – um Elba preta. Era meu carro para uma prova de Duathlon – Campeonato Catarinense. A bomba de combustível da pretinha só funcionava dando umas porradas – era eu e outro amigo o Cristian. Talvez vocês tenham escutado falar dele, que sofreu um acidente de avião com alguns empresários de Florianópolis há uns anos. Saudades amigo!

Bom, cheguei lá hotel com o dinheiro contadinho. Há alguns meses, o Cassiano – grande atleta que passou pela Sprint – colocou uma foto desta prova onde lá estava eu com uma sunga e top branco, ridículo, rsrsrs e na frente de uma galera.

O que eu quero falar para vocês, é que todos nós temos nossos percalços, trabalhamos, dormimos pouco, mas na hora a desculpa vem da gente. Então pouco importava. Se fui até lá, era para fazer bem feito.

Era inspetor pela manhã. À tarde ia para o cursinho, e à noite era vendedor de roupa feminina. Acho que muita gente tem uma história como a minha né?
E se fui bem? Sim fui! Consegui fazer o que era para eu fazer!

Retornei desta prova feliz da vida – não pela vitória – por ter descoberto que quando estamos no limite sendo testados, temos ainda para dar. Se acharmos que temos que caminhar, que esta caminhada seja no pensamento, e assim continuar. Não importa aqui tempo e posição que fiquei. O que quero deixar aqui é o sentido que vejo o esporte, e no final vocês vão entender.

Resumindo não passei no vestibular do final do ano. Na primeira chamada meu nome não estava lá, e olha que eu estudei muito. Era somatório na época, e não tinha a tal de parcial. Cheguei a pensar que meu destino era fazer Direito em Tubarão que eu tinha passado. Iria curtir meu último verão na praia e retornar.

Mas eu tinha um segundo pai na praia, o Tio Patrício. Eu com uma “mão na frente e outra atrás” fui cortar a grama na casa dele pra ganhar um trocado. Foi aí que ele me falo: “Paulinho a vida te mostra porque você tem que estar em cada lugar e não importa o que você for. Seja o que você deseja, porque é com isto que terá que viver pelo resto da vida”. Eu não entendi muito, estava meio revoltado com a situação.

Acabei de cortar a grama e fui correr nos morros. Depois fui nadar no mar da Pinheira e assim foi. Até vender um bolinho que minha mãe tinha feito eu fui rsrsr. É porque que queria me sentir alguém. Dá pra entender?

Eu tinha sido Campeão Catarinense no Duathlon. Sempre escutei que tinha um grande potencial, mas no mundo “dos normais” eu não levava a nada…

Eu vim de uma família que eu sabia que teria que literalmente, correr, nadar e pedalar, rsrsr assim como todos.

O Tio Patrício e a esposa dele, a Tia Marisa, sempre me falavam: Seja bom no que você escolher, ou busque ser sempre.

E o verão foi terminado… e quando eu estava cortando mais uma grama a minha mãe gritou da varanda de casa, lá na praia – “Tu passouuuuuu…. negrinho Pepe – ganhei um som rsrs pode?!

Página virada! Floripa, aí vou eu de novo! Entrei na faculdade, conheci pessoas maravilhosas, e pude retomar uma vontade de treinar. Trabalhei como treinador dos deficientes que faziam atletismo. Ganhava 136 reais. Entrei na Esinde onde o Sr.Enio e a Sra. Clara me acolheram. Consegui trabalhar em mais projetos de treinamento de natação, de atletismo e assim me virava. Morei no ITAMBE – um dos maiores condomínios da Capital, que parece uma república de estudantes. Quem é ou já foi estudante conhece? rsrsr Fui pra pista e tinha bons tempos de 400m para 1:00-1:05…

E assim foi. Rodei em matérias por ir competir e o professor não abonar faltas.

Passei por uma das maiores greves na UFSC, e lá estava eu quando vi estava com patrocínio, ganhando para competir e estudar. Lutei junto com a velha guarda para colocar o Triathlon nos Jogos Abertos. Competi por Joinville, Florianópolis, Blumenau, e por aí foi minha vida de triatleta. Tempos… Troféu Brasil… Tricampeão Brasileiro de Duathlon…

E A IMAGEM DA SALA SOBRE O IRONMAN AINDA NA MINHA MENTE… LEMBRA? Em 1992 quando vi a imagem na tv e iniciou meu sonho de fazer o Iron

PANCADARIA… MUNDIAL DUATHLON… PROVAS… 10KM BAIXEI DE 32’ HOJE SÓ EM SONHO… rsrsrs

Voltando a realidade e assim foi. Tudo muito pela determinação. Nada de treinadores específicos, descoberta empírica! Naquele tempo ninguém sabia muito de triathlon, o conhecimento se concentrava mais em São Paulo.

E depois de muito treino, pronto! Eu era o cara das cabeças da categoria… Bom, fui pra elite, ou melhor largar na elite. Ser elite é outro mundo! Deixei de ser o primeiro da categoria para ser o último da elite.

De cinco provas que larguei, levei volta em 3, e fui desclassificado. Mas assim como em tudo na minha vida não foi sem treino e não veio fácil ter sido desclassificado por levar volta. Aí me fizeram treinar mais. Bora e sem “mi mi mi”, rsrsrs, e nas outras duas cheguei.

Em 2004 eu estava com o patrocínio fechado. Ano que iria ser contratado por Joinville. Estava com tempos melhores, tudo andando – parece o vídeo do Josef quem viu ótimo, quem não viu não vai entender… rsrsrs

Até que num fim de semana que fui para casa, minha mãe sentou e falou: “Estou com câncer filho”. A minha irmã mais nova negou – reação que psicólogos justificam. Minha irmã mais velha casou e foi pra Natal, rsrsrs e lá ficou.

Era eu e mais ninguém. Era eu no mais novo treino e desafio da minha vida: a própria vida. Tudo que eu já tinha treinado não chega nem perto deste sentimento, nem um pingo do que isto representa.

Foi aí que o Paulinho tranquilamente largou tudo e foi para onde deveria ir. Para casa, ao lado da minha mãe. Era aceitar o caminho que me tinha sido dado.
Fiz um reunião com o patrocinador pois não tinha como honrar com o prometido. Tranquei matérias que não eram pré-requisito. Passava quatro dias em Tubarão e três dias em Floripa. E foi assim durante um ano. Minha mãe branca, amarela, roxa, kkkk, até que um dia raspamos nossos cabelos juntos e gritamos Ronaldinhoooooooooo….

Foi um ano de descobertas e lutas. Naquele tempo os recursos e as tecnologias diferentes de hoje.

O melhor de tudo isso, é que tudo deu certo e hoje ela está bem e melhor. Mas foi um dos treinos mais difíceis que tive, e saibam só quem vive sabe.

Em 2004 montei a Sprint treinei meus primeiros atletas e assim fui… Em 2005/2 tentei retornar aos treinos. Trabalhar era o que me restava. Acreditar e implementar o que tinha me feito homem: o esporte com amor, respeito, força de vida. Se eu não fosse um atleta, não teria aguentado o “rojão”.

Acho que Deus me preparou desta forma para aquele momento. Tirei forças não sei de onde.

E assim fui trabalhando. Propostas, construções foram feitas, desafios profissionais vieram.

Até que em 2008 Deus colocou um anjo na minha vida, que depois de eu contar que já tinha treinado e gostava de triathlon : “ Eu acredito que você vai se encontrar. Volta a fazer, volta a treinar. É teu!” E aquela semente ficou ali. E toda hora ele me encontrava e era repetia: “Esta esperando o que?”.

Bem, a vida estava corrida, e tinha que trabalhar para poder treinar. Eu sabia disto e assim fui construindo, me dedicando para um dia poder fazer o que me foi despertado em uma simples aula de musculação. E em todos os treinos lembro e penso neste dia.

Iniciei aos poucos, construindo e fazendo tijolo a tijolo. Erros, acertos, com e sem tempo.
Foram treinos de MTB tendo aluno para me motivar, vendo a vontade de cada um de vocês conquistarem seus objetivos e assim foi.

Verão treinando e em 2011 fiz a inscrição no Ironman. Emoção pura, liguei, vibre dei pulos. Isto era meia-noite! Tim Tim…

Treino acontecendo e trabalho a milhão…
A equipe estava toda reunida para ir para Curitiba no Fila Night Run. Como eu tinha que treinar fui pedalando até Posto Sinuelo, em Barra Velha – 140km, que fiz muito bem, até ser atropelado km 139, detalhe, como falou o Osvaldo que foi meu batedor, eu parecia um pacote de batata. Quebrei quatro costelas e a previsão de retorno era de 3 a 4meses.

Ah, lembra da história do professor de xadrez? Ainda bem que eu estava atrás de um sonho e não mirava em ninguém somente a busca de um sonho que foi despertada em uma sala lá em 1992

Levantei do acidente, pedalei até encontrar a
equipe que vinha de ônibus. Tínhamos combinado
de nos encontrarmos no Posto Sinuelo, onde meu
batedor retornaria com minha bike, e eu iria a Curitiba participar da prova com os atletas. Tirei fotos, claro, e sem falar de como eu realmente estava, eles foram cumprir seu papel e fizeram bem, muito bem. Valeu Carlinha que retornou comigo para receber atendimento.

Fiquei quatro dias no hospital, não trabalhava, fica imóvel, mas a inscrição tinha sido feita. Ficar de cama era bom, qual o problema? Só não vale a Ana e a Carla colocando termômetro de girafa… mas eu tinha meu escudeiro lá, o Osvaldo.

Depois mesmo com a previsão de 3 a 4 meses sem treinar, a pergunta foi “Quando posso retornar doutor?” e a resposta foi “O quanto tu aguentar a dor depois da cicatrização”. Hummm relativo.

O acidente foi no dia 1o de outubro. Retornaria em janeiro. O Ironman era em maio. Entrei no módulo corpo fechado. Tem isto, no meu tem, rsrsrs

Muita luta, dor e mais dor, pra espirrar, sentar, respirar, diga lá, treinar era detalhe. Fazia com amor, com vontade e curtindo. Uma grande luta nos treinos longos. Trabalhar com a dor é ph…

Mas passei tanta coisa e sempre falei para todos “Quero terminar”… As pessoas rapidinho iam esquecendo tudo e ficavam pensando no tempo, e tudo mais. E eu sempre repeti. “Quero terminar. Quero me livrar daquele sofá de 1992 e como no corte de grama as escolhas tinham que ser assim”. A frase que meu Tio Patrício tinha me falado há muito tempo.

E treinei porque lá no dia seria eu e Deus e meu anjo. O Deus das escolhas, do destino, aquele que quer você bem e te dá caminhos duros pra te deixar mais forte, aquele que te acorda… Te dá vida. Eu vejo o esporte com este espírito e se você vai para um desafio maior sem isto, seja em qualquer nível para mim, está tudo errado.

Um dia antes do Iron minha mãe veio ver me visitar. Ia para o Rio de Janeiro no dia seguinte ver minha irmã. Aí ganhei um beijo dela, coisa boa.

Tudo estava arrumado, conferido no sofá de de casa! Kits e tudo mais! E agradeço até hoje, foi fundamental.

Bem chegou o grande dia. Arruma bike, alimentação, leva aqui, leva ali e vamos dormir… Mas tem que acordar!!! Verdade não acordei. Era para acordar 4:00 e graças ao Zack, acordei às 6:00 e a transição fechava 6:30.

Pois é, eu consegui fazer a maior façanha que poderia acontecer: não acordei para o meu grande dia. Acordei cedo em todos os dias que fui para realizar os sonhos dos meus atletas e fiz o que falo sempre para nunca ser feito.

Com tudo pronto para a prova, pulei da cama, vesti a roupa da prova, engoli uma banana e nada de banheiro droga! Entrei no carro e ai só me lembro que estava em Jurerê faltando 10 minutos para fechar a transição com a ajuda dos anjos que me esperavam completei os suplementos, entrei, coloquei tudo, vesti a roupa de borracha, e antes é claro fui no banheiro ebaaaaaaaaaaaaaa! Tava pronto!

Mas como um estrategista que já sai perdendo liguei o plano D, pois o plano D não existia…

Sem café da manhã, minha nutricionista me falou que todas as minhas transições seriam um café da manhã. E assim foi. Nadei mais fraco, pois tinha que me situar e sai no tempo máximo que eu havia previsto, entrei na transição e na lá a maior correria entra aqui, vai ali… e eu lá bem calmo, comendo, fazendo xixi, pega bolo… quase 10 minutos de transição.

Subi na bike e fui para onde eu precisava pedalar. Minhas batatas fizeram falta… ficaram na geladeira. Alguma perda tinha que ter né rsrsr o bom é que estava contornado por outros nutrientes.

Pedalei a primeira volta e me senti bem. Agradeci por ter acordado. Em um Iron onde poderia agradecer tudo, estava agradecendo por ter sido acordado rsrsr. Pois é nunca diga nunca!

A equipe estava toda reunida, uma festa, em frente ao Centro de Treinamento e Saúde da Sprint e em outros vários locais. Mas eu estava preocupado como eu iria reagir, qual seria o preço. A primeira volta do ciclismo foi um sonho, segurando e pedalando bem, mas como nada vem de bandeja segurei um pouco, e na segunda tive

um leve desconforto no joelho hummm, pensei: bora.

Cheguei, entreguei a bike. Nossa estava lá 180km, e entrei e lentamente fui para meu café da manhã, o segundo do dia, sentei, tudo bem, tudo andando e foi… Fiz com calma, coloquei a viseira e com um sorriso pensei agora quero poder agradecer a meus alunos, amigos, tudo que eu pudesse e saí no passo pocotó. O plano A B C não poderiam ser aplicados antes dos 21 km…

E assim foi quando no terceiro km meu joelho desarmou, e doeu… um alfinete ficou espetando no km 4. Este alfinete era um canivete e no km 6, um faca de pão… Esta feito a estratégia da corrida – percorrer 42KM.
Eu quebrei 4 costelas, sei o que é dor, e sei tolerar e assim pensei em tudo que havia vivido até aquele momento.

Eu rezei, pensei os 42 km, pedi para deixar eu terminar a prova. Muitos nem notaram que eu tinha dor, mas notaram que eu estava sério demais. Então peço desculpas pela minha seriedade, na verdade era dor, vontade de chorar, de gritar, porqueeeeeeeeee porrraaaaaaaaaaaa (desculpe-me pela palavra) e logo eu lembrei do Tio Patrício, que me falou que vida mostra porque temos que estar em cada lugar e se for fazer faz bem feito, dentro do que puder fazer. E assim foi km 10, km 15, km 18, km 21 sentei, tirei a meia, tomei remédio, levantei e fui para o km 23, 25, 27, 33, e não acabava nunca. Caminhava, comia, chorava escondido de dor, mudava a pisada, tentava reza, agradecia, e continuava…

Porque meu Iron seria diferente disto. Este era para ser o meu Iron. Ninguém espera isto, ninguém espera não dar certo… mas como tinha que ser, foi.

Bom, eu sei que escrevi demais, demais mesmo, e não sou de fazer isto…

Mas nos 42km da corrida do Iron tudo que eu escrevi foi o que passou na minha cabeça, e que me fez chegar até a mais emocionante chegada da minha vida. Onde eu havia me vencido e este sempre foi e será meu adversário: EEEEUUUU

ENTENDAM: TODOS SOMOS GUERREIROS. TODOS SOMOS VENCEDORES DESDE QUE ACEITEMOS O QUE A VIDA NOS DÁ.

QUANDO ACHAR QUE NÃO TEM SAÍDA, QUANDO ACHAR QUE NÃO DÁ MAIS AINDA TEMOS 30% PARA DAR!

Em um momento difícil, busque em você o que te move. Busque o amor pelo que busca, que Deus nunca te faltará.

AMO VOCÊS!

PAULINHO

Como o pH do seu corpo altera seu desempenho no esporte

correr-praia

Atletas estão continuamente testando seus limites físicos e, mesmo que por pequenos incrementos, tentando desafiar as leis da gravidade para obter novas marcas. No mundo do esporte cada milissegundo ou qualquer vantagem física interna ou externa podem significar a diferença entre vitória e derrota, um desempenho repetido, novo recorde mundial ou pessoal. Infelizmente, é neste mesmo mundo que a tentativa artificial (doping) de se quebrar recordes ou vencer a todo custo acaba por destruir carreiras, saúde ou reputação de muitos atletas.

Vida em Equilíbrio

Avanços em treinamento, equipamentos, medicina esportiva e fisioterapia, bem como um entendimento maior entre técnicos e atletas sobre a química do corpo humano e o papel que a nutrição tem com o rendimento atlético são alguns dos fatores naturais responsáveis pela evolução do desempenho de atletas de várias modalidades.

Atletas comprometidos com maneiras saudáveis e legais de se melhorar a performance visando a redução da fadiga, tempo de recuperação precisam entender o equilíbrio de pH e o impacto negativo que o desequilíbrio do mesmo traz para o metabolismo e funcionamento do corpo.

Manter um equilíbrio saudável de pH considerando a exposição ao stress físico e nutricional que um atleta é submetido é quase um desafio, sendo que o mesmo reflete o excesso de ácido lático no organismo. Seja qual for o seu nível de intensidade atlética, um bom equilíbrio de pH pode significar o diferencial entre conquistas e ter seu rendimento comprometido pela sensação de “queima” muscular.

Equilíbrio de pH: O que se deve saber

Um equilíbrio de potencial hidrogeiônico (pH) próprio é o ponto chave entre uma boa saúde e essencial para performance atlética. O pH é a concentração de ácido [H+] (potencial hidrogeiônico), é medido em uma escala de 14 pontos, sendo 7 o ponto de neutralidade. Valores de pH abaixo de 7 são mais ácidos, e valores acima são mais alcalinos, ou básicos. No organismo humano o pH varia dependendo do sistema, e.g., pH do estomago variando entre 1.0 – 3.0 e o do sangue tendendo a neutralidade aproximadamente 7.35 – 7.45.

Conforme metabolizamos o alimento ingerido, resíduos ácidos são gerados. Para sustentar um equilíbrio de pH saudável para o sangue, estes subprodutos devem ser eliminados ou neutralizados. Existem inúmeras maneiras que o corpo possui para fazer este serviço: aspiração de dióxido de carbono (CO2) pelos pulmões; nossos rins filtram o sangue e excretam ácido pela urina; pele sua ácido para fora do corpo. Em adição a estas funções excretoras de ácido, existem os tampões químicos para ajudar na neutralização do desequilíbrio de pH, incluindo o cálcio, fósforo, bicarbonatos associados aos mecanismos de transporte de oxigênio pela hemoglobina e ciclos de fosfatos. Quando, devido a dieta, exercício aeróbico prolongado, e/ou idade, a habilidade de equilíbrio da acidez é ultrapassada, alterando o pH do sangue, chamamos por acidose os efeitos colaterais sentidos pelo corpo.

Ultrapassando o Limiar

O acúmulo de prótons (H+) em consequência da produção excessiva de acido lático durante o esforço de manutenção do exercício é responsável pela sensação de “queima” no músculo. A concentração de ácido aumenta quando o atleta excede o que é chamado de “limiar de lactato”, ponto em que o corpo não é capaz eliminar ou neutralizar os resíduos ácidos produzidos de uma maneira eficiente o que resulta em um excesso de ácido no organismo que tende a baixar o pH do sangue. Este acúmulo de H+ que ocorre ao se ultrapassar o limiar de lactato por algum tempo pode resultar em cãibras e outros sintomas colaterais dependendo do grau de acidez acumulada que comprometem o desempenho do atleta. Ao contrário do conhecimento popular, não é o acido lático em si que causa a acidose, mas o excesso do mesmo no organismo indica um desequilíbrio de pH no corpo.

Exercício aeróbico prolongado não é o único fator que contribui para acidose. Tanto a dieta quanto a idade também influenciam. Conforme envelhecemos, nosso corpo perde a eficiência do sistema excretor de resíduos ácidos. Além disto, os hábitos alimentares do mundo atuais, que enfatizam o consumo deexcesso de proteína, gorduras, açucares e alimentos industrializados contribuem para acidose. Em atletas em que o gasto calórico costuma ser muito maior do que de pessoas comuns em um dia preocupar-se com o equilíbrio de pH nos alimentos que são cosumidos para se manter o nível de treinamento ou rendimento durante uma prova é algo que deve ser levado em conta.

Medicina Preventiva

Acidose não é uma doença específica, mas sim uma condição especifica de acidez do sangue e que pode gerar diversas outras doenças. Muitas pessoas possuem esta condição sanguínea sem se dar conta, e acabam às vezes sofrendo sintomas cuja origem é desconhecida.

Todos os alimentos naturais contêm tanto elementos alcalinos quanto ácidos. Em alguns, há predominância de elementos formadores de ácido, e outros de elementos formadores bases. De acordo coma bioquímica moderna, não é a matéria orgânica dos alimentos que gera resíduos ácidos ou alcalinos no corpo humano. A matéria inorgânica (enxofre, fósforo, potássio, sódio, magnésio e cálcio) é que determina a acidez dos fluidos do corpo. Alimentos cujo consumo estimula a produção de ácido pelo corpo devem então ser equilibrados com alimentos que produzem elementos alcalinos para que o próprio sistema tampão do corpo seja capaz de ser eficiente em manter o pH do sangue numa faixa ideal (próxima a neutralidade).

Para ser ter um benefício disto, um atleta que possua uma dieta saudável pode evitar assim alimentos que estimulam a produção de ácido no corpo, e implementar seu cosumo de alimentos alcalinizantes. Ao contrário do que se pensa, alimentos ácidos não necessariamente influenciam na diminuição do pH sanguíneo, por exemplo, frutas cítricas e a maioria dos vegetais tem um efeito alcalinizante sobre o pH o que ajuda na manutenção do equilíbrio do mesmo. Especialistas da medicina natural recomendam a ingestão de uma dieta baseada numa razão de 60/40 até 80/20 favorecendo alimentos alcalinizantes versus acidificantes, para se manter o pH dentro de uma faixa saudável.

Suplementação: solução?

Alguns testes realizados com Acid Zapper da TAMER Laboratories, uma empresa de suplementos de Seattle nos Estados Unidos, revelaram que indivíduos subtidos ao seu uso por cinco dias apresentaram uma queda em 53 % de acidez da urina. Em outro teste realizado com ciclistas, o composto tampão-ácido reduziu significativamente a “queima” muscular, aumentou o tempo até a fadiga, reduziu os níveis de lactato no sangue, e aumentos a força muscular bem como a recuperação.

Será que suplementos podem auxiliar na manutenção de um equilíbrio de pH saudável e reforçar o sistema tampão natural do corpo? Será que eles podem ajudar atletas, principalmente de idade mais avançada, a melhorar sua performance aumentando seu limiar de lactato?

Estas perguntas somente podem ser bem respondidas através de estudos laboratoriais extensivos. Sabemos que os carbonatos e hidróxidos de cálcio, magnésio e potássio podem ajudar a combater a acidose, mas que as outras formas mais simples de carbonato não são alcalinas o suficiente para ser efetivas na maioria dos ácidos orgânicos.

Até que algo seja realmente comprovado, sabemos que um equilíbrio de pH e um bom sistema neutralizador de ácidos produzidos, são essenciais para uma boa saúde e para o processo natural de envelhecimento em humanos. Certamente, a saúde do pH – e as estratégias para mantê-lo – é uma área que vem conquistando mais e mais a atenção dos praticantes da medicina natural bem como atletas e técnicos. Até que algo seja realmente comprovado, sabemos que um equilíbrio de pH e um bom sistema neutralizador de ácidos produzidos, são essenciais para uma boa saúde e para o processo natural de envelhecimento em humanos, pois além de diminuir os efeitos negativos que a acidose causa em atletas, pode previnir doenças comuns que são consequência do estado de pH ácido, e.g., diabetes, pressão alta, atrite e diferentes tipos de câncer.

Do que consiste a Dieta Alcalina?

Todo bom atleta se preocupa com o que ingere sabendo que a alimentação é a fonte de combustível para um bom desempenho. A dieta alcalina é em grande parte vegetariana. Alimentos comuns na dieta ocidental moderna como carnes, peixes, laticínios, alimentos processados, açúcar branco, farinha branca, álcool, cafeína, e outros são considerados vilões para manutenção de um pH saudável. Apesar das recomendações é sempre bom ter em mente que o objetivo é equilibrar a dieta, e não eliminar os alimentos considerados produtores de ácido, para se evitar o radicalismo que também não traz benefícios. Os alimentos considerados produtores de base no corpo, e saudáveis para o pH são: frutas frescas, vegetais, algumas frutas secas, grãos, cereais integrais, mel, legumes…Desta forma de maneira geral podemos concluir que os alimentos e recomendações sugeridos pela dieta alcalina são aqueles que estão inclusos naturalmente em uma dieta considerada saudável (Figura 1.). A seguir uma lista de alimentos ácidos e alcalinos.

 

Alimentos Ácidos

  • Proteínas: Todo tipo de carne como bacon, carne bovina, galinha, ovos, frutos do mar, peixe, carne suína.
  • Frutas Secas: Castanha do Pará, amendoim, nozes, castanha de caju.
  • Cereais: Pães em geral, bolo, bolachas, arroz branco, farinha refinada, aveia, milho, macarrão.
  • Lacticínios: Queijos em geral, manteiga, sorvete.
  • Frutas: Frutas cristalizadas ou em calda, cranberries, mirtilos, ameixa.
  • Vegetais: Feijão branco, feijão vermelho, lentilha, ervilha, soja.
  • Oléos e Gorduras: Canola, oliva, girassol, gergelim, milho, prímula.
  • Bebidas: Café, chá, refrigerante, cerveja, vinho, bebidas destiladas.

Alimentos Alcalinos

  • Proteínas: Whey, tofu.
  • Frutas Secas: Amêndoas, coco seco.
  • Cereais: Amaranto, quinoa.
  • Lacticínios: Leite, iogurte.
  • Frutas: Frutas em geral com poucas exceções, maça, banana, melões, melancia, nectarina, pêssego, cereja, figo, amora, framboesa, morangos, limão, tangerina, laranja, abacaxi…
  • Vegetais: Alfafa, beterraba, couve-flor, brócolis, pepino, berinjela, alho, cebola, repolho, cogumelos, alface, abobora, couve, tomate, cenoura…

Por Ina Guasque Öström

Veja também no site da revista MundoTri:  http://www.mundotri.com.br/2013/11/como-o-ph-do-seu-corpo-altera-seu-desempenho-no-esporte/