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Antioxidantes naturais e a resistência à infecções

Noticia 1 janainaAs células desenvolveram um sofisticado e complexo sistema de proteção antioxidante para neutralizar radicais livres, representados por uma grande variedade de componentes. As células que constituem o sistema imunológico são particularmente sensíveis ao estresse oxidativo, embora a função protetora desempenhada por estas células seja uma importante fonte de espécies reativas de oxigênio. Do mesmo modo, durante o processo inflamatório, a ativação de fagócitos desencadeia a produção de grandes quantidades de radical superóxido. Nutrientes antioxidantes (vitaminas ou oligoelementos) geralmente incluídos na dieta, como vitamina A, vitamina E, vitamina C, beta-caroteno, selênio, cobre, ferro e zinco melhoram diferentes funções imunológicas e exercem um papel importante na proteção de infecções causadas por bactérias, vírus ou parasitas.

Referência bibliográfica:
PEURTOLLANO, M.A.; PUERTOLLANO, E.; CONTRERAS-MORENO, J. et al. Natural antioxidants and resistance to infection. Bioative Food as Dietary Interventions for Arthritis and Related Inflammatory Disease; 2013.

Probióticos: interação com o microbioma intestinal e o potencial anti-obesogênico

Noticia 2 janainaA obesidade é uma desordem metabólica que afeta muitas pessoas no mundo todo. Houve um avanço notório na compreensão da composição da microbiota intestinal e sua implicação em doenças metabólicas extra-intestinais. Ainda, agentes moduladores da microbiota intestinal podem produzir efeitos na prevenção da patogênese destas doenças. Os probióticos são micróbios vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde. Com o passar dos anos, os probióticos tem feito parte da dieta do ser humano na forma de diversos alimentos fermentados. A sua influencia em diferentes funções fisiológicas no hospedeiro é cada vez mais documentado. O potencial anti-obesogênico dos probióticos tem ganhando atenção especial devido ao aumento do número de evidências indicando o papel essencial da microbiota intestinal na homeostase energética e acúmulo de tecido adiposo. Os probióticos têm sido propostos também para interagir com as bactérias que já estão presentes no intestino, alterando as suas propriedades, que podem também afetar as vias metabólicas envolvidas na regulação do metabolismo lipídico.

Referência bibliográfica:
ARORA, T.; SINGH, S.; SHARMA, R.K. Probiotics: interaction with gut microbiome and antiobesity potential. Nutrition; 2013.

RELATO IRONMAN 2013 – por André Luís dos Santos

227205.jpgEm 1980 meus pais compraram um pequeno sítio na localidade de Mariante, distrito de Venâncio Aires (RS). Era um fim de mundo sem grandes atrativos, mas para um garoto da cidade de 10 anos tudo era festa. Ajudava os vizinhos nas tarefas rurais, até porco matei. A paisagem constituía-se basicamente do seguinte: plantação de milho, estrada de chão batido e rio. O Rio Taquari era a grande atração. Um rio de aproximadamente 500 metros de largura, com canal, por onde passavam barcos e até mesmo navios. Logo fiz amizade com a gurizada local e a brincadeira principal era atravessar o tal rio, de preferência quando estava passando um navio, para pegar as ondas… não sei o que os meus pais tinham na cabeça em não impedir, mas sou grato a eles por isso.

Passou-se o tempo, 1984, e em um rompante de rebeldia adolescente peguei uma Caloi 10 emprestada, e sem dinheiro, sem água, sem comida, sem avisar ninguém e óbvio sem celular (na época era coisa de ficção científica), pedalei até o sitio em Mariante. A distância era de 130 km. Caramanhola naquele tempo era frescura, se bebia água da primeira torneira disponível. Saí de Porto Alegre ao meio dia e cheguei noite no sítio, umas 6-7 horas pedalando. Chegando lá, um banho no rio Taquari a luz da lua cheia e minha primeira cerveja. Momento inesquecível.

Em 1986, 16 anos de idade, o sítio já não tinha a menor graça, meus amigos todos na praia, mas o sítio era o único destino da família nas férias, visto que meus pais adoravam o lugar. Com os hormônios em polvorosa, e sem saber mais o que fazer, minha mãe é que deu a sugestão: “Vai correr na estrada”… queria se livrar do meu chororô. E fui, e nas 3 semanas que ficamos lá corria todo dia, as vezes de manhã e de tarde. E não parei mais.

Em 1998 ou 99, recém casado, gordinho, ex-corredor, assistia o globo esporte quando passou a matéria do Ironman. Acho que nem era aqui no Brasil… “Não é possível, que viagem”, pensei… e mudei de canal…

Em 2013 meu primeiro Ironman. Impossível não lembrar dos acontecimentos em Mariante, ou da minha reação incrédula quando ouvi falar pela primeira vez em Ironman.

A preparação para o Ironman foi intensa, segui disciplinadamente os treinos e a alimentação, fazendo um malabarismo diário para poder trabalhar, atender a família e treinar. A 3 meses do Ironman tive um problema sério com cãibras e contraturas generalizadas nas pernas, principalmente panturrilhas. A impressão é que não conseguiria sequer terminar a natação, visto que nadar 1000 metros, nas condições que estava, era um desafio. Fisioterapia, ginástica funcional e Pilates foram incorporadas na já complicada rotina. E deu certo, faltando 1 mês para o Iron, já conseguia nadar e a 2 semanas do grande dia minha natação estava melhor que antes dos problemas.

Depois de fazer um boa prova em Caiobá, estava bastante tranquilo para o tão esperado Ironman. Era só fazer o que tinha treinado, não forçar, e manter a mente leve. Bastava manter o equilíbrio entre as modalidades.

Toca a buzina, mas eu não escutei.

Saí nadando tranquilo, buscando espaço para que pudesse desenvolver a natação com naturalidade e sem sobressaltos, os problemas vividos a 3 meses atrás não assustavam, mas ainda insistiam em ficar presentes na lembrança. E pra minha surpresa, na primeira bóia, cerca de 900 metros, uma fisgadinha leve no posterior da coxa. Pronto, era tudo o que eu não precisava. Desencadeou naquele momento um pavor de que as cãibras e contraturas se manifestassem novamente. Aumentei a frequência de braçadas e descansei as pernas, usando apenas para equilibrar o nado. Fim da primeira volta e tudo certo, os sinais de cãibras vinham, mas eram facos e já estava lidando bem com a situação. Faltava a volta menor e aí era partir para o meu chão, o ciclismo. Contornei a última bóia da segunda volta, tudo estava bem e sob controle, consegui administrar bem e sairia bem da água. Só que não. Faltando uns 100 metros, a chegada afunilava, e levei uma pancada seca na panturrilha, muito forte. O músculo contraiu agressivamente, desencadeando um processo por toda a perna esquerda, e imediatamente refletindo na perna direita. Terminei estes últimos metros com as pernas totalmente retesadas e com fortes dores. Chegando na beira da praia, agachei, respirei e consegui soltar as pernas para poder caminhar, mas o estrago estava feito. Mesmo assim saí da água com um tempo razoável, 1:16. A torcida me colocou pra correr, impossível não responder a altura a uma torcida daquelas.

Transição, e vamos para o ciclismo.

Saí meio perdido, além dos ajustes normais, resolvi compartilhar o pedal pelo Garmin o que exigiu um esforço mental extra antes de sair para o pedal, nada além de 30 segundos. Quando fui colocar a sapatilha, mais uma contração abdominal. Realmente alguma coisa não estava bem naquele dia. Pedalei bem, passei muita gente, terminando a primeira volta com 33 km/h de média, um ritmo bem conservador, não queria arriscar nada devido aos problemas da natação,e claro, por que terminando o ciclismo ainda teria a maratona pela frente. Por volta dos 110 km de percurso, as pernas voltaram a enrijecer, desta vez nos músculos adutores. Alonguei as pernas no pedal, tomei cápsula de sal, e fui negociando até terminar, porém essa negociação deixou muitas dores. Além disso, na metade da segunda volta, o vento aumentou, dificultando bastante. Apesar de todos os reveses, que imagino todos ali estavam com os seus próprios, me sentia muito feliz de estar vivendo aquilo tudo. Realmente era épico.

Ao largar a bike e sentir o peso das pernas, já esperado, somado as dores deixadas pelas cãibras, não pude deixar de pensar “E agora, como vou correr 42 km?” Do jeito que sempre fiz, um pé na frente do outro, quilômetro por quilômetro.

Meu objetivo de honra era completar a prova abaixo de 12 horas, já havia comentado isso com alguns. Quando saí para correr eram transcorridas 7 horas de prova. Até considerei que poderia fazer abaixo das 11 horas, mas logo no início da corrida vi que não seria fácil.

Normalmente quando corro, não penso em nada, apenas vou, mas com tantas dores dizendo “Para maluco, já deu” a batalha mental na maratona foi muito forte. Nos primeiro 21 km caminhei nas subidas de Canajurê e nada mais. Corri o tempo todo. Bem devagar, mas corri. Mas no início da segunda volta o corpo deu uma cedida, o esgotamento por suportar tantas dores por tanto tempo já estava insustentável, e dei uma caminhada. Foi quando passou o Paulinho, perguntou o que houve e falou pra que eu trotasse, não caminhasse. Na verdade o que me bateu forte não foi o conselho de trotar, porque esse era bem óbvio. O que mexeu muito comigo foi a pergunta “O que houve?”… algo do tipo, esse não é o Bruce que eu conheço. Imediatamente esse pensamento me trouxe a imagem da família que lá estava, da incrível torcida da Sprint e do sorriso de todos, e das mãos que eu já tinha batido no percurso, dos gritos, dos comentários no facebook, dos abraços, dos depoimentos de superação de outros atletas da Sprint que eu li no passado… das pinturas no asfalto… aquele Iron não seria meu… SERIA NOSSO! E seria abaixo de 12 horas como me propus!!!

E assim foi, aumentei o ritmo, quebrado, ferido, mas em nada derrotado. Caminhava nos postos de hidratação, comia sal, bebia gatorade, coca-cola, água, aproveitava o momento para xingar o corpo por ser tão fraco, e depois na corrida mostrava pra ele que a cabeça era mais forte, e quem mandava naquilo tudo era eu.

No penúltimo posto de hidratação antes de completar a prova caminhei pela última vez. Lá estava Léo e Portuga, conversamos, relaxei, parecia uma conversa normal de treino, pelo menos essa é a lembrança que eu tenho. Me relaxou, voltei a correr e só iria parar na chegada. Faltando 500 metros ainda fui acompanhado pela Lú e Vitor, me deram mais uma tremenda injeção de ânimo, o que me permitiu abrir um grande, sincero e grato sorriso ao cruzar aquele pórtico e saber que daquele momento em diante nada mais seria impossível.

Agradecimentos existem muitos a serem feitos, farei em outro momento. Aqui é apenas o relato deste dia tão especial na minha vida, que foi compartilhado por grande parte das pessoas que estão lendo este relato. Afinal, compartilhar os detalhes desta saga com vocês é o mínimo que eu posso fazer para expressar minha gratidão por tanta energia emanada, por terem me empurrado para a realização de um sonho.

Obrigado! E em 2014 estarei lá novamente. POR NÓS!